sábado, 2 de agosto de 2014

CALOTE ARGENTINO

A falta de acordo com fundos especulativos para o pagamento de títulos da dívida pública argentina, cujo prazo final de negociação era 31 julho, deve derrubar ainda mais as exportações do Brasil e principalmente do Grande ABC que já vêm em queda no primeiro semestre ante ao mesmo período de 2013. 

O Grande ABC tem grande dependência em relação a esse mercado, que representa 40% das vendas externas das empresas dos sete municípios,e, agora, com o chamado defaut, especialistas avaliam que haverá impacto direto nas encomendas para esse destino.

Foi a segunda vez que o país vizinho deu o calote, desta vez, de forma involuntária. Isso porque a Justiça norte-americana, em junho, bloqueou os recursos argentinos para o pagamento de US$ 539 milhões- que venceria no final de julho, aos credores que aceitaram a renegociação da dívida, em 2001, de mais de US$ 100 bilhões, se não houvesse o pagamento também dos fundos especulativos. O problema é que estes credores, a minoria, não querem aceitar o valor reduzido, exigem o pagamento integral. Essa situação de impasse criará dificuldades para os exportadores, por vários motivos. Ninguém vai conseguir carta de crédito para a importação argentina, porque os preços vão ficar proibitivos e porque os bancos não vão ter interesse em conceder.

Também, porque a Argentina possui poucas reservas (cerca de US$ 30 bilhões), muitas pequenas empresas exportadoras vão querer o pagamento antecipado, e as grandes, embora continuem exportando ( fabricantes automotivos) também terão dificuldades, impostas pelo governo da presidente Cristina Kirchner. Outros motivos, haverá a necessidade de os argentinos ampliarem o superavit comercial. No primeiro semestre, eles tiveram saldo positivo de US$ 8 bilhões, 28% menos que no mesmo período de 2013.

O Calote técnico também impactará no consumo argentino, terá efeito sobre o câmbio, com a desvalorização do peso e o consequente encarecimento dos produtos brasileiros na Argentina, poderá gerar retração em investimentos diretos.

A situação é dramática para a Argentina, que vive atualmente em estagflação ( ou seja, inflação alta e estagnação econômica.

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